Depois da Assembleia Municipal da Covilhã se ter pronunciado (como lhe é permitido por lei), eis que a comissão técnica emite um parecer (acabadinho de sair) como “contra proposta”. Neste documento propõe para a Covilhã a extinção de dez freguesias. Juntar a freguesia do Canhoso às quatro da cidade (agregadas sob proposta da AM), agregar Cantar Galo a Vila de Carvalho, Teixoso ao Sarzedo, Vale Formoso a Aldeia do Souto, Casegas ao Ourondo, Barco a Coutada e Peso a Vales do Rio.
Quatro da cidade mais o Canhoso? Mas o que é isto? Esta gente sabe do que está a falar? Feitas as contas esta mega freguesia teria 19.022 habitantes (quase 27% da população do concelho!). Se o Canhoso é para agregar que agregue com o Teixoso (e deixem lá o Sarzedo em paz!).
A agregação de Cantar Galo a Vila do Carvalho é algo que não me choca, até porque aqueles dois locais estão colados um ou outro. Perfazendo ambas 3974 habitantes, é curioso o facto de Cantar Galo ter mais população que Vila do Carvalho.
Não vou fazer mais comentários ao Sarzedo, uma vez que já me pronunciei na publicação anterior…
Vale Formoso e Aldeia de Souto estão próximas uma da outra (2,5km). Esta “junção” perfaz 814 habitantes mas mais uma vez é curioso que a agregada seja a maior (vão-se lá perceber os critérios…)
Casegas e Ourondo é mais um caso curioso. Distam 6,5km uma da outra, por uma estradinha cheia de buracos e tão estreita que se nos cruzarmos com um autocarro, quase que vamos parar à valeta (valeta é como quem diz que por ali nem isso há). Ambas as freguesias com uma população bastante envelhecida (principalmente o Ourondo). Contabilizam 797 habitantes e novamente cá temos a mais pequena a acolher a maior.
Barco e Coutada pertencem à chamada “corda do rio”. Distam 3,5km percorridos por uma estrada que parece a montanha russa devido às lombas enormes que alguma mente iluminada se lembrou de ali colocar. O total da população são 879 habitantes e repete-se a regra da pequena receber a maior.
Peso e Vales do Rio são vizinhas das anteriores. Separadas pela mesma montanha russa, perdão, estrada, a 1,7km uma da outra. Devido à sua proximidade esta proposta não me choca. Totalizam 1411 habitantes. Sim, repete-se o fenómeno.
Até agora falei de números e deixei um comentário ou outro em relação às proximidades (físicas) mas mais uma vez ficam de fora as questões que já levantei na publicação anterior. Será que estes senhores da comissão técnica conhecem minimamente a realidade do concelho? (quem diz do meu,diz de outro qualquer) A AM pronunciou-se e pelos vistos a sua pronuncia não foi suficiente para os iluminados da capital. A proposta entregue foi da agregação das quatro freguesias da cidade numa só, criando a freguesia da Covilhã. Mas como a lei prevê a extinção de dez, a fusão destas quatro não foi suficiente e agora a proposta vem para trás sob “ameaça” de no caso de não fazerem as coisas como eles sugerem, serem os próprios a faze-lo.
Eu sugiro a essa gente que se realmente quer reformar o país que percam tempo em visitar o território, a falar com as pessoas, a conhecer as realidades… Mas claro, essas coisas levam tempo e aquilo que se pretende é fazer as coisas à pressão e o mais rápido possível porque senão a troika castiga.
Com franqueza! Andamos a brincar às freguesias! A Junta de Freguesia é a entidade governativa mais próxima do cidadão. É aquela (no caso das rurais, principalmente em meios envelhecidos) a quem as pessoas recorrem para resolver os mais diversos assuntos. Desde ler cartas (sim, ler cartas. É que ainda há gente que não sabe ler!), responde-las, auxiliar no acesso a alguns serviços online (porque no nosso país há certas questões que se resolvem online e as pessoas são obrigadas a ter todas um computador em casa). Quando começaram a fechar postos de correios, foram as Juntas de Freguesia que os seguraram a troco de protocolos que não trazem qualquer benefício financeiro mas antes prejuízo…
Quando se fala em fechar Juntas também é preciso lembrar tudo isto!
Gil, lê a proposta e depois evitas dizer tanta barbaridade junta. És mesmo tenrinho . Nao acertas uma na tua analise.
ResponderEliminarCaro anónimo: em primeiro lugar agradeço o facto de ter lido e comentado a minha publicação. Como disse, isto é a minha opinião pessoal (com alguma ironia). As minhas barbaridades, são factos, quer se goste ou não. Mas pelos vistos apreciou o meu texto, caso contrário não teria perdido tempo a lê-lo. Falo das freguesias com conhecimento de causa, porque conheço a sua realidade. Tenrinho ou não, talvez conheça o concelho melhor que o caro anónimo... E já agora, isto não é uma análise porque analista é coisa que não sou. E, como disse, a minha opinião e nada mais que isso.
ResponderEliminarEsqueci-me de referir que conheço o parecer e que o li! E acho ridículos os argumentos ali apresentados.
ResponderEliminarUm deles, passo a citar "nos termos do art. 8º, alínea c), subalínea iii), da Lei n.º 22/2012, as freguesias devem ter escala e dimensão demográfica adequadas, que correspondem indicativamente, nos municípios de nível 3, ao mínimo de 500 habitantes nas freguesias não situadas em lugar urbano".
É graças à política que tem vindo a ser desenvolvida que as freguesias rurais se vão esvaziando. Uma freguesia que não dá trabalho, que não dá resposta aos cidadãos, não é certamente uma freguesia com futuro e não será procurada por uma família para ali fazer vida.
So quero saber como é feita a foto dos executivos das juntas que Omitiram esta realidade já desenhada só para fazer o FRETE ao chefe PINTO. No caso do Ourondo foi desrespeitado uma decisão da Assembleia de Freguesia:.Aliás o Ourondo tem esta sina...os executivos sabem, calam, apresentam tudo como um caso já consumado, foi assim coam agua e agora só não é assim porque a informação já flui. Carlos Bicho
ResponderEliminarComo o sr. Carlos Bicho sabe, a Assembleia Municipal tem agora vinte dias para se pronunciar sobre esta proposta da UTRAT (vulgarmente denominada como comissão técnica). É meramente uma proposta e não um facto consumado. Cabe agora à AM fazer tudo o que estiver ao seu alcance (ao lado das populações) para impedir a destruição das freguesias. E, como pôde constatar pelo que escrevi, sou tão contra como o sr. Esta é a recta final, é agora tempo de nos unirmos todos a uma só voz e lutar contra a destruição do mundo rural.
EliminarHugo sei que pensa como eu neste caso, mas a questão é que os autarcas esquecem com muita facilidade quem lhes deu o voto. O caso do Ourondo é exemplo disso não informar o povo a montante mesmo no campo das possibilidades qual o mal.... Foi um frete feito ao Carlos Pinto para não haver ondas, esta mania de informar o povo pode ser complicado pois o povo pode pensar e querer agir......
ResponderEliminarJá agora eu não fujo nem numnca virei as costas a ninguem, no caso da água falei sozinho era "maluco" agora toidos pagam a factura, Só isso!!!!!!!
Não vamos particularizar as coisas. O que (não) se fez no Ourondo, foi o mesmo que (não) se fez nos outros sítios. Se houve favores, interesses, medos, isso só os próprios o poderão dizer. Eu tenho esperança que as coisas não sejam tão negras.
EliminarSei que este tema é polémico e que lhe desperta particular interesse mas também gostava de saber a sua opinião em relação aos outros temas.
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