Por motivos profissionais e familiares não me tem sido possível publicar nos últimos dias mas prometo voltar em breve.
Até lá, desejo Boas Festas a todos os meus leitores.
Os portugueses já se habituaram a que quando Vítor Gaspar vem anunciar algo, seja para penalizar ainda mais as famílias. Mas desta vez o nosso Ministro das Finanças veio anunciar o fim do Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT).
Mas esta medida só está prevista para Janeiro de 2016, por isso até lá ainda muita coisa vai acontecer. Aliás, em 2015 teremos eleições legislativas (se não forem antes) por isso vai depender de quem vier e do estado em que encontrar as finanças.
Mais uma notícia para entreter o povo… Se estivessem as eleições à porta, até entenderia isto como uma tentativa de piscar o olho ao eleitorado, estando a 3 anos das próximas legislativas já faço outro leitura.
A censura já chegou ao facebook. Ontem folheava um jornal e deparei-me com a notícia de uma funcionária do Hospital de Braga que viu ser-lhe aplicada a pena de repreensão escrita pela entidade patronal devido a um comentário no seu facebook. Nessa publicação a funcionária dizia o seguinte: «Estava eu aqui a pensar como há gente “mandante” burra». Esta frase foi considerada injuriosa e ofensiva à honra dos seus superiores hierárquicos.
Já nos acostumámos ao falso conceito de liberdade de expressão mas isto é demais! Agora cada um já não pode escrever o que bem lhe apetece? O facebook não é um espaço livre? Não é um espaço de debate/troca de ideias?
Pelos vistos neste caso a carapuça assentou a alguém e houve retaliação, mas seja como for é uma violação à liberdade de expressão. Obviamente que somos responsáveis pelas declarações que proferimos publicamente mas não será isto ilegal?
Numa anterior crónica afirmei que a alteração das CIM’s não iam dar em nada (ver aqui) mas pelos vistos o Governo decidiu-se a levar em frente esta parte da Reforma da Administração Local. Tal como a agregação das Freguesias também as CIM’s vão ser reestruturadas a contra relógio e em cima do joelho, sem que sejam feitas as devidas consultas. Mais uma lei por imposição sem que sejam garantidos os interesses e aspirações das populações. No essencial esta lei cria novos cargos dirigentes, não eleitos, e retira competências aos Municípios.
Hoje em dia existem 23 Comunidades Interurbanas ou Intermunicipais e duas Áreas Metropolitanas (Lisboa e Porto). Actualmente as CIM’s têm dois órgãos: o Conselho Executivo e a Assembleia Intermunicipal. O Conselho Executivo é constituído pelos Presidente de Câmara que integram a CIM e o seu Presidente é escolhido de entre estes. A Assembleia é constituída por deputados eleitos pelas respectivas Assembleias Municipais, em representação do seu Município. Existe ainda a figura do Secretário Executivo que é em quem o Presidente pode delegar competências ou atribuir funções específicas. A sua remuneração tem como limite máximo o equivalente a um Director Municipal. Não sendo um cargo obrigatório e uma vez que em termos práticos é quem governa, a maioria das actuais CIM’s não possui este cargo.
No modelo que o Governo pretende implementar, o Conselho Executivo é substituído pela Comissão Executiva e acaba com o Secretário Executivo. O novo órgão terá um mínimo de um membro e três elementos e um máximo de dois elementos e cinco membros (no caso das Áreas Metropolitanas). Toda esta gente é nomeada [ainda não percebi por quem mas deve ser pelo Governo]. Estes elementos terão uma remuneração igual à do Presidente de Câmara.
Qual a diferença? Para além de uma remuneração bem mais choruda, a governação passaria a ser feito por tecnocratas. Pessoas que não sendo eleitas iam comandar o destino destas CIM’s e consequentemente dos Municípios que as integram. Estas pessoas teriam legitimidade para as funções? Governar uma determinada área sem que tenham para isso sido eleitos? Mas afinal de contas estamos a falar de poder local ou de gestão de empresas? Isto é um tremendo desrespeito pelo funcionamento democrático das instituições! [Se eu fosse Presidente de uma Câmara não ia gostar que um “badaneco” engravatado me desse palites sobre aquilo a que me teria comprometido com os meus eleitores!]
Esta lei não está a ser pacífica. Da esquerda já se previa o não, alegando que serão criados mais jobs for the boys. Mas mesmo o seio dos partidos do Governo, têm havido vozes de contestação. Uma dessas vozes é o líder da Juventude Popular. Segundo este responsável centrista, estes novos cargos servirão para encaixar Presidentes de Câmara que não se podem recandidatar, devido à lei de limitação de mandatos [não é preciso ser muito inteligente para ver isso, aliás já há algum tempo que vislumbro esse futuro para, pelo menos, um que tão bem conheço]. Foi, de resto, esta falta de consenso que levou os partidos a adiar a discussão desta lei no hemiciclo, fazendo-a baixar à Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local.
Há quem fale em 60 outros em 67 novos cargos dirigentes. [Pessoalmente não sei como fazem estas contas mas uma coisa é certa: é um escândalo!] Por um lado falamos em cortes, agravamentos de impostos, refundação do Estado social, emagrecimento do aparelho do Estado e depois criam-se estes lugares. Coerência, senhores. Coerência! Mais uma trapalhada à Relvas!
A troika quer uma maior aposta no transporte ferroviário. A Linha de Cascais é a única para a qual se conhecem publicamente as intenções do Governo. De acordo com o Secretário de Estado dos Transportes, esta linha precisa de um grande investimento e como o Estado não tem dinheiro para o fazer, vai entregar a privados.
Carlos Carreiras, o iluminado edil de Cascais, vem logo todo contente aplaudir a intenção do Governo. Quero ver depois como é que este senhor vai explicar às milhares de famílias que diariamente utilizam aquela linha, quando os preços dispararem, devido aos tais investimentos dos privados, porque ninguém vai para ali investir a fundo perdido! Os utilizadores é que vai ter de pagar com língua de palmo.
Que é preciso investir no sector ferroviário, já muitos perceberam, não é preciso virem cá os suprassumos da troika dizer isso mas o caminho não é o da concessão a privados. Como já disse isso fará disparar os preços e consequentemente diminuir ainda mais o número de utilizadores. O que é necessário é adequar a oferta por forma a que esta dê resposta aos utilizadores, quer a nível de custos, quer a nível de horários, quer a nível de conforto.
Vejamos o caso da linha da Beira Baixa (no intercidades). Desde que houve obras de largos milhões de euros para a sua electrificação, não só não houve uma melhoria na diminuição do tempo de viagem, como piorou drasticamente o serviço com a introdução de veículos obsoletos que só têm uma casa de banho numa das três carruagens e já não tem o tradicional bar onde se podia petiscar qualquer coisa. Se uma viagem de autocarro demora 3h30 por 14,50€ porque é que as pessoas hão-de pagar 24,00€ (em 1.ª classe) ou 17,00€ (em 2.ª) se a duração da viagem é ainda superior (3h44) e o conforto é praticamente o mesmo? A única diferença é que no comboio se pode “esticar as pernas” mas como as pessoas não têm dinheiro, preferem encolher as pernas e poupar 2,50€ por viagem.
Com o investimento que foi feito nesta linha, o comboio tem condições para chegar mais rápido mas isso não acontece porque as máquinas não têm capacidade, não estão à altura das infraestruturas! Isto é que é rentabilizar o investimento? Com uma linha que tem 3 comboios diários em ambos os sentidos? Caros, sem condições e com horários que não servem os interesses dos utentes. Depois admiram-se que os comboios andem às moscas… O intercidades de hoje tem de estar adaptado à realidade, tem de estar dotado de serviço wi-fi que permita aos seus passageiros utilizar a internet quer seja para trabalho quer seja para lazer. Também deveria permitir a ligação dos computadores à electricidade, pelos mesmos motivos, permitindo assim a sua utilização durante toda a viagem. Muito mais haveria para dizer sobre a evolução/adaptação do comboio mas para já fico-me por aqui. Estou certo de que este passo em frente, iria captar outro tipo de utentes, nomeadamente aqueles que necessitam de rentabilizar o tempo, estamos a falar de estudantes que podem estudar ou fazer trabalhos durante o percurso, estamos a falar de homens de negócios que precisam de preparar uma reunião que vão ter, etc., etc., etc..
O caminho do Governo não tem sido este e mesmo agora que se vê obrigado a alterar o rumo do caminho de ferro, resolve entregar a outros em vez de planear uma revolução neste sector que deveria ser estratégico para o país. Aquilo que temos visto neste últimos anos é um encerramento constante de linhas, sendo que algumas delas eram a única ligação que as populações tinham (veja-se o caso do norte do país com a linha do Tua, por exemplo). A própria linha da Beira Baixa ficou interrompida na Covilhã, onde a ligação à Guarda foi votada ao abandono. Na sua origem estará uma ponte que já não tem capacidade para aguentar o peso do comboio. Em vez de se reparar esta infraestrutura, fecha-se a linha e tira-se um transporte rápido e seguro às populações. É este o país que temos!
A Espanha seguiu o mesmo caminho de encerramento e anos mais tarde apercebeu-se do erro e teve de voltar atrás. Por cá o destino deverá ser semelhante.
Para terminar, voltemos ao Sr. Carlos Carreiras adepto fervoroso desta medida. Há que referir que esta linha tem 123 anos (inaugurada na sua extensão total em 1889) e foi uma das primeiras no nosso país. Foi alugada a privados entre 1914 e 1975 A concessão só se fará para o próximo ano, sabe-se lá quando. Até lá ainda muitos comboios vão circular e quem sabe se a concessão não descarrila…
Tenho evitado falar de temas religiosos pela controvérsia que costumam gerar e porque as minhas posições são habitualmente pouco católicas. No entanto, não podia deixar de comentar este assunto, sobretudo pelos ditos e não ditos que tem causado.
A bomba rebentou no Fundão mas podia ter rebentado em qualquer outro seminário pois, ao que parece, muita gente sabe de muita coisa mas só vêm a público quando os escândalos conhecem a luz do dia.
Comecemos por Catalina Pestana que se veio logo colocar em bicos de pés como a defensora-mor das crianças abusadas, dizendo que sabe de casos de pedofilia na diocese de Lisboa e que já há um atrás informou quem de direito. Pergunto eu: se assim é porque é que nunca se soube? Se esta alminha sabe de tanta coisa e ninguém lhe dá ouvidos porque é que não procura quem a ouça e actue?
O caso da diocese da Guarda é bem mais caricato pois, o actual bispo diz que nada sabia até ao momento em que o caso se tornou público mas, curiosamente, o anterior bispo tinha conhecimento de que o padre se deitava com os jovens. Mas diz o senhor que não praticava actos pedófilos e que sempre o teve como uma pessoa idónea. [Então o padre não gostava de dormir sozinho e agora acusam o homem de pedofilia? Com franqueza! Deixem-no lá em paz que ele é uma pessoa idónea.] Resultado desta ambiguidade: a diocese apressou-se a dizer que o senhor já não sabe o que diz, sacudindo assim a água do capote para não deixar passar para fora que sabiam e que nada fizeram.
Estes escândalos têm rebentado pelo mundo fora e muito me estava a espantar que no nosso país estivessem a tardar tanto… Espero que atrás deste, outros venham. Porque casos destes há muitos e são abafados debaixo das batinas negras. Espero também que a Igreja aprenda de uma vez por todas que não vale a pena esconder esqueletos no armário! Se teve a hombridade de pedir desculpa pelo facto de ter fechado os olhos às atrocidades nazis, também tem de ter a seriedade de resolver o presente, porque não é no futuro que se pede desculpa pelo passado!
Acordei e o mundo não acabou, mas não posso deitar já foguetes porque o dia ainda não acabou. Até ao final do dia vamos lá ver se os Maias tinham razão ou não. Agora se me permitem vou andando porque tenho uma inauguração para assistir. Um momento muito importante para o futuro da (minha) cidade.
Numa visita às obras, deparo-me com apenas um dos quatro blocos mas nem esse está pronto. Esperem lá! Mas afinal não há inauguração!
Foi anunciada com tanta poupa e circunstância e agora nada? O chairman da empresa até justificou a escolha deste dia por ser uma data histórica para a cidade e para a empresa. E como se o dia não fosse suficientemente histórico, Zeinal Bava ainda escolheu as 12h12 para completar o círculo das 12 (12/12/12 12:12). É no mínimo estranho que esta data tão cheia de simbolismo se tenha deixado escapar…
Este senhor da PT veio salvar a Covilhã com este mega projecto e é tão ilustre que no ano passado, no dia da cidade, foi condecorado com a medalha de Mérito Municipal e ainda recebeu o título de cidadão honorário!
Sendo assim, já não é hoje que vou assistir à inauguração do maior data center da Europa e um dos maiores do país. Aquele que, de acordo com Passos Coelho (que esteve cá na cerimónia de apresentação da obra), seria uma obra muito importante para o desenvolvimento da região. Como pergunto eu? Se nem as subempreitadas foram entregues a agentes locais? Se nem os trabalhadores da construção civil são da região? Preferiram entregar a obra aos amigos do costume e a mão de obra aos escravos que viviam em condições sub-humanas (como se viu na televisão). Isto é que é desenvolver a região? Ou será que o desenvolvimento é por via dos anunciados 1.400 postos de trabalho? É que esses 1.400 rapidamente passaram a 500 e agora parece que já nem a uma centena chegam!
Mas esta empresa é o futuro da cidade e é uma empresa tão importante que não pagou nem vai pagar um tusto à Câmara em licenças, impostos e demais taxas porque foi isentada. Enquanto os de cá são perseguidos para regularizarem as suas situações, outros chegam aqui e têm tudo de borla (e estamos a falar de uma empresa milionária!)…
Mas a importância desta obra não se esgota aqui. A obra é de tal forma importante que a cidade teve de ceder o seu aeródromo para que o boeing aterrasse permanentemente na pista. Claro que o edil se apressou a dizer que em breve seria apresentado um novo aeroporto para substituir o velhinho aeródromo mas a verdade dos factos é os nossos vizinhos de Castelo Branco foram bem mais inteligentes e não só já lá têm o aeroporto como conseguiram através dele captar investimento a sério e gerador de postos de trabalho! Enquanto aqui se destruiu o que havia que pelo menos servia para as aeronaves de combate a incêndios e servia o curso de engenharia aeronáutica da UBI (único no país!) que agora não tem onde “brincar com os aviões”…
Mas como um dos eventuais protagonistas do evento que estava marcado para hoje, já não pode subir ao palco da PT, por já não haver palco, então decidiu criar um novo palco para poder subir na mesma. Assim, mais logo, ao final da tarde, essa figura tão ilustre da cidade, subirá a um outro palco para outros voos. Isto se entretanto o mundo não acabar…
[acrescentado posteriormente] Afinal o dia de hoje foi um tremendo fiasco. Para além de não ter havido inauguração para alegrar o povo que tanto gosta de festas, o mundo também não acabou, parece que foi adiado para dia 21, veremos se se cumpre a promessa. Mas não foi só o fim do mundo que foi adiado, também o tal palco foi reagendado para um outro dia 12. Afinal de contas o dia histórico ficou marcado mas como o dia dos adiamentos…
Não sei se é inédito mas é no mínimo estranho ser o Ministro Adjunto a anunciar publicamente uma candidatura, neste caso à Câmara Municipal de Lisboa [acho que o Relvas se esqueceu que já não é o Secretário-Geral do partido!].
Marcelo Rebelo de Sousa tem toda a razão quando diz que estes membros do Governo desgastados não deveriam aparecer em nenhuma candidatura. Aliás, subscrevo as suas declarações. Nenhum candidato no seu juízo perfeito está minimamente interessado em ter tipos destes colados às suas candidaturas. Se eu fosse candidato a alguma coisa, queria ter gente dessa bem longe. As eleições não vão ser fáceis para o PSD tendo em conta a prestação do Governo, com estes apoios então será a morte do artista. [PSD no seu melhor!]
Tenho pena de (Fernando) Seara porque parte não só com a desvantagem de ser concorrente a uma Presidente com obra feita e que tem feito um bom trabalho, como ainda por cima o seu “padrinho” é o Ministro que mais trapalhadas tem feito e cuja imagem na opinião pública é péssima. Uma candidatura que poderia à partida ser uma alternativa ao PS, começa com o pé esquerdo!
Espero que a moda não pegue, senão o número de candidatos assassinados vai aumentar de forma colossal! Convinha que alguém da nacional, com dois dedos de testa, pedisse a todo e qualquer membro do Governo [não apenas este!] que se afastasse o mais possível das candidaturas, sob pena de se perderem Câmaras. Quanto mais longe, melhor!
Foi hoje entregue o prémio Nobel da Paz à União Europeia. Este foi recebido pelos três líderes, Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu e Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu. A justificação é a de que esta instituição consegui fazer de uma Europa de guerra uma união pacífica. Então mas isto foi já no século passado? Só agora se lembraram? Com franqueza! Onde está a seriedade? Prémios políticos dispensam-se! Outro motivo foi o contributo que deu à democracia e aos direitos humanos. Democracia? Onde? Se os grandes (França e Alemanha) querem “colonizar” os pequenos?
A tirania dos tecnocratas, a tentativa de separação do norte-sul, o descrédito do euro, a falta de solidariedade entre os estados membro e tantos outros problemas são agora (momentaneamente e por conveniência) esquecidos e eis que se apresenta em Oslo uma Europa unida, de pedra e cale.
Não deixa de ser curioso que o prémio DA PAZ tenha sido entregue a uma “federação” que tem patrocinado várias guerras!
Os portugueses ainda não conseguiram perceber, porque não lhes foi devidamente explicado, porque razão não vai o Governo português exigir igualdade de tratamento.
Durão Barroso diz que Portugal o pode fazer, usufruindo de igualdade de tratamento, mas que isso seria prejudicial na confiança dos investidores. Pergunto eu: mas é mais importante acenar aos investidores ou garantir que o país não caia (ainda mais) na miséria? Se existe a possibilidade de pagar menos juros e de estender o prazo, isso não deve ser uma possibilidade mas sim uma certeza! Há que aliviar o povo de tanta austeridade! Porque aqueles dizem que o povo aguenta são os que ainda não sentiram os seus efeitos no bolso. É necessário mudar a política da austeridade pela austeridade. Um alivio na carga fiscal potenciará alguma retoma na economia e isso sim, é o importante! Conseguir parar o aumento do desemprego é o caminho! Se isso implica que Portugal volte aos mercados mais tarde que o previsto (final de 2013) então que assim seja porque será por uma boa causa.
O Presidente da Comissão Europeia também deve ser dos que pensa que o povo ainda aguenta mais. É o que dá estar muitos anos fora, perde-se a noção da realidade. Sabe lá ele o que se passa por cá… Sabe lá ele a miséria em que algumas famílias caíram…
Este ajustamento não é uma questão de cumprimento ou incumprimento, é sim uma questão de reajuste à realidade económico-social do país! Se as pessoas nem têm dinheiro para comer como podem pagar mais austeridade? Como podem aguentar mais cortes e reduções? O país tem-se portado bem com os seus credores e provou que não é igual à Grécia mas não será certamente por este episódio que tudo vai cair por terra.
Cavaco Silva defende que é necessário aliviar os portugueses e que se a Europa abriu a porta, não a devemos fechar, aproveitando assim, esta possibilidade de ter condições mais favoráveis ao país.
Paulo Portas está em sintomia com o Presidente da República e também defende a aplicação das mesmas condições a Portugal.
O Primeiro Ministro ainda não se decidiu pois já disse que sim, já disse que não [e acabei por me perder entre sims e nãos]. Acabou por dizer que as contrapartidas não são boas e que é mais complicado do que parece. Acabámos por ficar sem saber nada. Não adiantou mais do que dizendo que Portugal não é igual à Grécia e que por isso não se podia aplicar a mesma receita. O que se deduz daqui que o Passos Coelho não vai contrariar os amigos da UE, já que o Ministro das Finanças alemão foi quem fez questão de dizer que estes países não são iguais e que como tal não deveriam usufruir das mesmas condições.
Quanto ao Ministro das Finanças parece estar em sintonia com o Primeiro Ministro e também não defende esta alteração alegando que isso seria desfavorável para a credibilidade do país junto dos credores e da opinião pública internacional. Acrescenta ainda que isso só nos aproximaria aos gregos em termos de imagem e que há que manter as diferenças que realmente existem.
Estamos bem entregues, sem dúvida. Os nossos governantes olham primeiro para o exterior e só depois é que pensam nos seus cidadãos.
Depois de uma ausência no Governo, após ter sido substituído há um ano por Mario Monti, eis que Silvio Berlusconi decide que quer voltar a ser Primeiro Ministro. Após quatro mandatos cheios de escândalos que envolvem os media, a máfia, corrupção, depois de ter fundado dois partidos políticos, o homem acha que ainda não está na altura de terminar a sua carreira política.
Da sua longa lista de polémicas e procedimentos “pouco legais” posso destacar o facto de ser proprietário de jornais, canais de televisão e de uma equipa de futebol (AC Milan) [quando ao futebol nada a dizer mas os meios de comunicação tem muito que se lhe diga. Um Primeiro Ministro que controla a maioria dos media é algo extremamente perigoso, não? É que o Sr. para além dos canais públicos tem o seu império pessoal], acrescentar ainda que em 2010 fez aprovar uma polémica lei que o conseguiu afastar do tribunal em todos os casos de fraude e corrupção de que é acusado.
Há pouco mais de um ano demitiu-se do Governo, sob pressão (nacional e internacional) de muitos, porque a Itália estava a entrar em crise financeira e corria sérios riscos de ter de ser alvo de um resgate financeiro à semelhança de Portugal, Grécia e Irlanda, isso aliado aos problemas com a justiça, nomeadamente ao facto de ter estado envolvido com uma prostituta menor. Mario Monti é convidado pelo Presidente a formar um Governo de pessoas desligadas de partidos políticos [algo semelhante a um Governo de iniciativa presidencial que muitos iluminados defendem para o nosso país].
Agora (aos 76 anos) Berlusconi quer voltar, anunciando a sua candidatura às legislativas de 2013. Para isso já conseguiu instalar a crise política no Parlamento, pois o seu partido não tem viabilizado alguns projectos do Governo. Com isto conseguiu que Monti anunciasse a sua demissão após aprovação do Orçamento.
O mal logrado acordo ortográfico ao que parece causou mais um desacordo. Desta vez foi o Brasil a dar o dito por não dito e adiou a entrada em vigor desta aberração linguística para 2016. Nós é que fomos os apressados e em 2009 iniciou-se a sua aplicação, sendo que durante o ano passado se verificou um uso mais recorrente (sobretudo com a sua introdução no ensino).
Muitos portugueses decidiram ignorar esta trapalhada e acreditam que isto não vai longe (eu incluído [só escrevi com aquela coisa três vezes porque os senhores meus professores me obrigaram e não souberam respeitar a minha liberdade de escrita. Podia ter feito braço de ferro mas depois eu é que me ferrava na nota…]). Do comum cidadão a figuras ilustres da sociedade, passando por Vasco Graça Moura que proibiu o uso de tal atentado à nossa língua na instituição a que preside – o CCB.
Relembro que já vários juristas informaram que só é obrigatório o uso da nova grafia após homologação de todos os países envolvidos. Acrescento ainda que Angola rejeitou a adopção desta “coisa” por não está enquadrada com o uso da língua naquele país e dificultar a sua leitura.
Para mim um fato é para vestir e um facto é algo que aconteceu. Já para um brasileiro um fato é um acontecimento e um terno é que se veste. Que mal tem isso? Com a dita uniformização qualquer dia andamos de terno e isso será um fato…
Não posso deixar de apelar à subscrição da petição para travar esta confusão que em nada reflecte o uso diário da nossa língua (http://ilcao.cedilha.net/docs/ilcassinaturaindividual.pdf).
Mais uma vez o Ministro das Finanças tirou da cartola um possível aumento do horário laboral, mas desta vez para a função pública. Este senhor propõe mais meia hora diária.
Mas estes funcionários não são aqueles que, na boca do povo, não fazem nada? Então se não fazem nada ainda lhes vão dar mais meia hora por dia para não fazerem nada?
Corte-se mais nos salários e estenda-se o horário porque estes trabalhadores ainda sofrem pouco… Não é verdade?
Uma vez que se fala em igual o horário com o do privado porque, dizem, existem muitas diferenças entre estes dois sectores, que tal começarem por estender os cortes do público ao privado? Ah isso já não. Porque os preguiçosos merecem cortes mas os trabalhadores árduos já não…
A explicação é novamente as médias dos países da União Europeia. Mais uma vez pergunto: quando é que os ordenados vão ser equiparados à média dos outros países?
Estamos a falar de mais cortes, já que esse aumento de horário não implica aumento de vencimento, o que na prática é trabalho gratuito! Tenha vergonha Sr. Ministro!
Celebram-se hoje o 80.º aniversário da emblemática Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e ao que parece este será o seu último ano de existência já que o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) ditou o seu encerramento.
Têm sido apontadas várias datas para o fecho, sendo a mais recente foi Março de 2013. No entanto, tudo aponta para Maio, uma vez que os serviços serão transferidos para o Hospital D. Estefânia mas a conclusão das obras de ampliação só estarão concluídas por essa altura, estando previsto o seu início em Fevereiro. Uma vez concluídas as obras os serviços de ginecologia, obstetrícia e cuidados neonatais serão então integradas naquela unidade hospitalar para que em 2016 integrem o futuro Hospital de Todos os Santos. [Sim, leu bem. Vão fazer obras num hospital que vai fechar dentro de três anos! É assim que se gasta o dinheiro público…] Embora os responsáveis digam que o valor é residual quando comparado com o que teria de ser gasto em obras na MAC, já se sabe que cada um faz as contas à sua maneira. Paulo Macedo, Ministro da Saúde, quando questionado sobre esta barbaridade só disse que isso é uma opção de gestão do conselho de administração. [Mas que bela gestão!] Durante as obras na Estefânia, o serviço de neonatologia funcionará na MAC.
Os motivos para o encerramento da maternidade pretendem-se com a baixa natalidade (redução aproximada de 1.700 partos), a existência de três unidades hospitalares na região que prestam esses serviços e, principalmente, a redução de custos. O conselho de administração do CHLC prevê uma poupança de 10 milhões de euros por ano devido à racionalização de meios. Perguntas:
Segundo o Ministro da Saúde, os lisboetas não ficarão a perder com este encerramento uma vez que Santa Maria e S. Francisco Xavier prestam um atendimento de excelência. Também garante que esta situação não levará ao desemprego de funcionários, pois não se trata de um fecho mas sim de uma reforma hospitalar. Diz ainda que as equipas não serão separadas mas os responsáveis garantem que não cabem todos na Estefânia. Perguntas:
Já Passos Coelho diz que há hoje contingências para as quais a MAC pode não ter capacidade de resposta. [Quais?]
Se a MAC não tem condições que se criem, se a MAC tem problemas que se resolvam, se a MAC tem falhas que se colmatem, mas fechar uma unidade como esta, única no país, é um crime. Enquanto os outros países caminham para a criação de hospitais especializados em determinadas áreas não só pela capacidade um melhor serviço ao utente mas também pelo facto de se poderem aliar ao ensino e à investigação, no nosso país andamos para trás encerrando a única unidade hospital especializada nesta área.
Faz hoje 32 anos que morreu o então Primeiro-Ministro, Francisco Sá Carneiro. Após todos estes anos, com várias investigações e comissões de inquérito parlamentar, continua sem se saber se foi acidente ou atentado, havendo defensores de ambas as teses e conclusões divergentes.
Foi ele o pai da social-democracia portuguesa, líder do então PPD (Partido Popular Democrático). Mas o que é afinal a social-democracia?
Por tradição os partidos social-democratas surgem de uma ideologia de esquerda que surgiu no final do século XX como uma evolução do marxismo para o socialismo, tendo por base o socialismo. As suas bandeiras são a defensa de um sistema capitalista igualitário e a luta de classes. No entanto, esta “filosofia” tem mudado ao longo das décadas e foi-se afastando cada vez mais das ideias marxistas e aproximaram-se do reformismo como forma de atingir o socialismo. Acabou por romper com o socialismo com a ideia de criar um Estado democrático onde o capitalismo e o socialismo teriam de conviver, uma ideologia mais moderada. Neste modelo o Estado teria de garantir uma reforma do capitalismo, por forma a diminuir as desigualdades sociais e proporcionar o Estado social [de que hoje tanto se fala] aos cidadãos.
Para uns a social-democracia é a forma ideal da democracia representativa que tem como objectivo solucionar os problemas de uma sociedade liberal, construindo um Estado defensor da liberdade e da justiça social, garantindo oportunidades iguais a todos, sobretudo aos mais desfavorecidos.
Perante toda esta prosa pergunto eu: onde está a social-democracia?
Quantas voltas não terá dado Sá Carneiro no túmulo com aquilo que o seu partido tem feito nos últimos tempos…
Saiu hoje a notícia de que houve uma quebra de passageiros nos transportes públicos. Em Lisboa e no Porto registou-se uma quebra de 12,3 milhões de passageiros, entre metro, comboio e barco, no terceiro trimestre deste ano.
O Governo explica este facto com o aumento da fraude. Então mas e o aumento dos transportes não conta? A diminuição da comparticipação aos estudantes não conta? E o desemprego? Se as pessoas não têm emprego, não necessitam de comprar passe!
O iluminado que está à frente da Carris ainda tem a lata de dizer que os preços subiram significativamente mas estão abaixo da média das cidades europeias. Sem comentários! Neste país tudo se compara com os outros menos os ordenados!
Mais uma vez o Governo anda a dormir e a sacudir a água do capote.
A 3 de Dezembro de 1992 foi enviada, no Reino Unido, a primeira sms, com o texto “Feliz Natal”. Na altura só era possível trocar mensagens para números da mesma rede, situação que se manteve até 1999 e só então se tornou possível enviar sms entre redes diferentes. Primeiramente só era possível escrever até 160 caracteres, mas com os avanços, é hoje possível a criação de mensagens bem mais longas. Com a evolução das sms, surgiram as mms.
Esta forma de comunicação, criada pela Vodafone, é hoje em dia é uma das formas de conversação mais usadas pelos mais jovens. Aliás, há muita gente que escreve sem olhar para o visor. Com a criação de tarifários com mensagens gratuitas, houve uma explosão na sua utilização.
Dados: nos três primeiros trimestres de 2012 foram enviadas 14 mil milhões mensagens no nosso país, o dá uma média de 300 por semana ou 10 por dia. O maior trafego verifica-se na época de Natal e fim de ano, sendo que chegaram a estar suspensas as borlas nesse período.
Quer seja para deixar uma mensagem rápida, quer seja para ter longas conversas, o facto é que hoje em dia não nos vemos sem esta forma de comunicação.
A criação desta nova funcionalidade para os telemóveis fez com que estes deixassem de ser apenas aparelhos para fazer e receber chamadas. Foi assim que se deu o primeiro passo para que o telemóvel seja hoje aquilo que é. Com a introdução de jogos, com o ecrã a cores, com a tecnologia que permitiu as mms, com a 3G que veio potenciar as videochamadas, a possibilidade de se aceder à internet no telemóvel, etc., etc..
Termina hoje o mais antigo feriado civil da História de Portugal. Faz hoje 372 que nos livrámos do domínio espanhol. Após sessenta anos integrados no reino de Espanha sob a coroa Filipina, Portugal volta a ser uma nação independente pela mão de D. João IV (duque de Bragança).
Acabar com este feriado é apagar da nossa História um momento de veras importante, pois foi nesta data que Portugal voltou a ganhar a sua soberania [coisa que nos dias de hoje já não se verifica devido a outras conjunturas, mas isso já é outra questão…]. Apesar dos que dizem que por deixar de ser feriado não há porque deixar de festejar e que não se esquece, sabemos que as coisas não são bem assim e um dia comum, é apenas um dia comum que cai no esquecimento. Nesse sentido foi já criado um movimento que pretende recolher assinaturas para travar esse processo.
Este feriado sobreviveu à I República, que acabou com todos os feriados religiosos e os civis vindos da monarquia, sobreviveu à ditadura, sobreviveu ao regresso da democracia, mas não sobreviveu ao XIX Governo Constitucional e, por isso, em 2013 o dia 1 de Dezembro passa a ser apenas mais um dia no calendário, igual a tantos outros.
Ironia do destino: 1 de Dezembro de 1640 também foi a um sábado!