Celebram-se hoje o 80.º aniversário da emblemática Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e ao que parece este será o seu último ano de existência já que o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) ditou o seu encerramento.
Têm sido apontadas várias datas para o fecho, sendo a mais recente foi Março de 2013. No entanto, tudo aponta para Maio, uma vez que os serviços serão transferidos para o Hospital D. Estefânia mas a conclusão das obras de ampliação só estarão concluídas por essa altura, estando previsto o seu início em Fevereiro. Uma vez concluídas as obras os serviços de ginecologia, obstetrícia e cuidados neonatais serão então integradas naquela unidade hospitalar para que em 2016 integrem o futuro Hospital de Todos os Santos. [Sim, leu bem. Vão fazer obras num hospital que vai fechar dentro de três anos! É assim que se gasta o dinheiro público…] Embora os responsáveis digam que o valor é residual quando comparado com o que teria de ser gasto em obras na MAC, já se sabe que cada um faz as contas à sua maneira. Paulo Macedo, Ministro da Saúde, quando questionado sobre esta barbaridade só disse que isso é uma opção de gestão do conselho de administração. [Mas que bela gestão!] Durante as obras na Estefânia, o serviço de neonatologia funcionará na MAC.
Os motivos para o encerramento da maternidade pretendem-se com a baixa natalidade (redução aproximada de 1.700 partos), a existência de três unidades hospitalares na região que prestam esses serviços e, principalmente, a redução de custos. O conselho de administração do CHLC prevê uma poupança de 10 milhões de euros por ano devido à racionalização de meios. Perguntas:
- Se há pouco partos porque é que foram recentemente inaugurados hospitais (como o de Loures) que prestam este serviço?
- Porque é que não é o serviço da Estefânia que encerra se a MAC faz melhor?
Segundo o Ministro da Saúde, os lisboetas não ficarão a perder com este encerramento uma vez que Santa Maria e S. Francisco Xavier prestam um atendimento de excelência. Também garante que esta situação não levará ao desemprego de funcionários, pois não se trata de um fecho mas sim de uma reforma hospitalar. Diz ainda que as equipas não serão separadas mas os responsáveis garantem que não cabem todos na Estefânia. Perguntas:
- Se o Sr. Ministro refere estes dois hospitais (Santa Maria e S. Francisco Xavier) como prestando os que prestam um bom atendimento então porquê a integração na Estefânia? [se calhar para segurar aqueles serviços, fazendo o favor a alguém]
- Como é que a administração do CHLC pode prever uma poupança de 10 milhões de euros se não vão haver despedimentos e se todas as equipas (pela boca da tutela) vão ser integradas? [Não será certamente na factura da luz ou da água!]
Já Passos Coelho diz que há hoje contingências para as quais a MAC pode não ter capacidade de resposta. [Quais?]
Se a MAC não tem condições que se criem, se a MAC tem problemas que se resolvam, se a MAC tem falhas que se colmatem, mas fechar uma unidade como esta, única no país, é um crime. Enquanto os outros países caminham para a criação de hospitais especializados em determinadas áreas não só pela capacidade um melhor serviço ao utente mas também pelo facto de se poderem aliar ao ensino e à investigação, no nosso país andamos para trás encerrando a única unidade hospital especializada nesta área.
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