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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

MAC 80 anos

Celebram-se hoje o 80.º aniversário da emblemática Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e ao que parece este será o seu último ano de existência já que o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) ditou o seu encerramento.

Têm sido apontadas várias datas para o fecho, sendo a mais recente foi Março de 2013. No entanto, tudo aponta para Maio, uma vez que os serviços serão transferidos para o Hospital D. Estefânia  mas a conclusão das obras de ampliação só estarão concluídas por essa altura, estando previsto o seu início em Fevereiro. Uma vez concluídas as obras os serviços de ginecologia, obstetrícia e cuidados neonatais serão então integradas naquela unidade hospitalar para que em 2016 integrem o futuro Hospital de Todos os Santos. [Sim, leu bem. Vão fazer obras num hospital que vai fechar dentro de três anos! É assim que se gasta o dinheiro público…] Embora os responsáveis digam que o valor é residual quando comparado com o que teria de ser gasto em obras na MAC, já se sabe que cada um faz as contas à sua maneira. Paulo Macedo, Ministro da Saúde, quando questionado sobre esta barbaridade só disse que isso é uma opção de gestão do conselho de administração. [Mas que bela gestão!] Durante as obras na Estefânia, o serviço de neonatologia funcionará na MAC.

Os motivos para o encerramento  da maternidade pretendem-se com a baixa natalidade (redução aproximada de 1.700 partos), a existência de três unidades hospitalares na região que prestam esses serviços e, principalmente, a redução de custos. O conselho de administração do CHLC prevê uma poupança de 10 milhões de euros por ano devido à racionalização de meios. Perguntas:

  • Se há pouco partos porque é que foram recentemente inaugurados hospitais (como o de Loures) que prestam este serviço?
  • Porque é que não é o serviço da Estefânia que encerra se a MAC faz melhor?

Segundo o Ministro da Saúde, os lisboetas não ficarão a perder com este encerramento uma vez que Santa Maria e S. Francisco Xavier prestam um atendimento de excelência. Também garante que esta situação não levará ao desemprego de funcionários, pois não se trata de um fecho mas sim de uma reforma hospitalar. Diz ainda que as equipas não serão separadas mas os responsáveis garantem que não cabem todos na Estefânia. Perguntas:

  • Se o Sr. Ministro refere estes dois hospitais (Santa Maria e S. Francisco Xavier) como prestando os que prestam um bom atendimento então porquê a integração na Estefânia? [se calhar para segurar aqueles serviços, fazendo o favor a alguém]
  • Como é que a administração do CHLC pode prever uma poupança de 10 milhões de euros se não vão haver despedimentos e se todas as equipas (pela boca da tutela) vão ser integradas? [Não será certamente na factura da luz ou da água!]

Já Passos Coelho diz que há hoje contingências para as quais a MAC pode não ter capacidade de resposta. [Quais?]

Se a MAC não tem condições que se criem, se a MAC tem problemas que se resolvam, se a MAC tem falhas que se colmatem, mas fechar uma unidade como esta, única no país, é um crime. Enquanto os outros países caminham para a criação de hospitais especializados em determinadas áreas não só pela capacidade um melhor serviço ao utente mas também pelo facto de se poderem aliar ao ensino e à investigação, no nosso país andamos para trás encerrando a única unidade hospital especializada nesta área.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sá Carneiro e a social-democracia

Faz hoje 32 anos que morreu o então Primeiro-Ministro, Francisco Sá Carneiro. Após todos estes anos, com várias investigações e comissões de inquérito parlamentar, continua sem se saber se foi acidente ou atentado, havendo defensores de ambas as teses e conclusões divergentes.

Foi ele o pai da social-democracia portuguesa, líder do então PPD (Partido Popular Democrático). Mas o que é afinal a social-democracia?

Por tradição os partidos social-democratas surgem de uma ideologia de esquerda que surgiu no final do século XX como uma evolução do marxismo para o socialismo, tendo por base o socialismo. As suas bandeiras são a defensa de um sistema capitalista igualitário e a luta de classes. No entanto, esta “filosofia” tem mudado ao longo das décadas e foi-se afastando cada vez mais das ideias marxistas e aproximaram-se do reformismo como forma de atingir o socialismo. Acabou por romper com o socialismo com a ideia de criar um Estado democrático onde o capitalismo e o socialismo teriam de conviver, uma ideologia mais moderada. Neste modelo o Estado teria de garantir uma reforma do capitalismo, por forma a diminuir as desigualdades sociais e proporcionar o Estado social [de que hoje tanto se fala] aos cidadãos.

Para uns a social-democracia é a forma ideal da democracia representativa que tem como objectivo solucionar os problemas de uma sociedade liberal, construindo um Estado defensor da liberdade e da justiça social, garantindo oportunidades iguais a todos, sobretudo aos mais desfavorecidos.

Perante toda esta prosa pergunto eu: onde está a social-democracia?

Quantas voltas não terá dado Sá Carneiro no túmulo com aquilo que o seu partido tem feito nos últimos tempos…

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Quebra de passageiros nos transportes públicos

Saiu hoje a notícia de que houve uma quebra de passageiros nos transportes públicos. Em Lisboa e no Porto registou-se uma quebra de 12,3 milhões de passageiros, entre metro, comboio e barco, no terceiro trimestre deste ano.

O Governo explica este facto com o aumento da fraude. Então mas e o aumento dos transportes não conta? A diminuição da comparticipação aos estudantes não conta?  E o desemprego? Se as pessoas não têm emprego, não necessitam de comprar passe!

O iluminado que está à frente da Carris ainda tem a lata de dizer que os preços subiram significativamente mas estão abaixo da média das cidades europeias. Sem comentários! Neste país tudo se compara com os outros menos os ordenados!

Mais uma vez o Governo anda a dormir e a sacudir a água do capote.

domingo, 2 de dezembro de 2012

20 anos de sms

A 3 de Dezembro de 1992 foi enviada, no Reino Unido, a primeira sms, com o texto “Feliz Natal”. Na altura só era possível trocar mensagens para números da mesma rede, situação que se manteve até 1999 e só então se tornou possível enviar sms entre redes diferentes. Primeiramente só era possível escrever até 160 caracteres, mas com os avanços, é hoje possível a criação de mensagens bem mais longas. Com a evolução das sms, surgiram as mms.

Esta forma de comunicação, criada pela Vodafone, é hoje em dia é uma das formas de conversação mais usadas pelos mais jovens. Aliás, há muita gente que escreve sem olhar para o visor. Com a criação de tarifários com mensagens gratuitas, houve uma explosão na sua utilização.

Dados: nos três primeiros trimestres de 2012 foram enviadas 14 mil milhões mensagens no nosso país, o dá uma média de 300 por semana ou 10 por dia. O maior trafego verifica-se na época de Natal e fim de ano, sendo que chegaram a estar suspensas as borlas nesse período.

Quer seja para deixar uma mensagem rápida, quer seja para ter longas conversas, o facto é que hoje em dia não nos vemos sem esta forma de comunicação.

A criação desta nova funcionalidade para os telemóveis fez com que estes deixassem de ser apenas aparelhos para fazer e receber chamadas. Foi assim que se deu o primeiro passo para que o telemóvel seja hoje aquilo que é. Com a introdução de jogos, com o ecrã a cores, com a tecnologia que permitiu as mms, com a 3G que veio potenciar as videochamadas, a possibilidade de se aceder à internet no telemóvel, etc., etc..

sábado, 1 de dezembro de 2012

1 de Dezembro de 1640

Termina hoje o mais antigo feriado civil da História de Portugal. Faz hoje 372 que nos livrámos do domínio espanhol. Após sessenta anos integrados no reino de Espanha sob a coroa Filipina, Portugal volta  a ser uma nação independente pela mão de D. João IV (duque de Bragança).

Acabar com este feriado é apagar da nossa História um momento de veras importante, pois foi nesta data que Portugal voltou a ganhar a sua soberania [coisa que nos dias de hoje já não se verifica devido a outras conjunturas, mas isso já é outra questão…]. Apesar dos que dizem que por deixar de ser feriado não há porque deixar de festejar e que não se esquece, sabemos que as coisas não são bem assim e um dia comum, é apenas um dia comum que cai no esquecimento. Nesse sentido foi já criado um movimento que pretende recolher assinaturas para travar esse processo.

Este feriado sobreviveu à I República, que acabou com todos os feriados religiosos e os civis vindos da monarquia, sobreviveu à ditadura, sobreviveu ao regresso da democracia, mas não sobreviveu ao XIX Governo Constitucional e, por isso, em 2013 o dia 1 de Dezembro passa a ser apenas mais um dia no calendário, igual a tantos outros.

Ironia do destino: 1 de Dezembro de 1640 também foi a um sábado!