Perguntaram-me há dias como podia eu apoiar a atitude de António Capucho ao integrar uma candidatura independente, desrespeitando a decisão do partido, e simultaneamente criticar o caso da Covilhã.
Pois bem. Há dissidentes e dissidentes. António Capucho não é de todo um dissidente. E ao contrário do que possa parecer o caso de Sintra é o inverso ao da Covilhã.
Teremos que recuar para perceber as coisas. A candidatura por ele apoiada em Sintra (e onde será cabeça de lista à Assembleia Municipal) foi a que as bases apresentaram, a de Marco Almeida, de acordo com os estatutos do partido. Esta decisão não foi respeitada e foi imposto um candidato de fora, Pedro Pinto. Ou seja, o candidato oficial não foi o escolhido mas sim um paraquedista colocado “à força” e à revelia. Na Covilhã houve quem tentasse fazer o mesmo mas foi respeitada a escolha da concelhia e os “revoltosos” criaram uma candidatura pseudo independente. A única semelhança entre estes dois casos é que os protagonistas independentes correm o risco da expulsão nos termos estatutários.
Na verdade, o que está em causa é a legitimidade das decisões. Em Sintra não se respeitaram os militantes e na Covilhã não se asseguraram os interesses de alguns…
Capucho trata-se de um histórico e faz falta ao partido. É um grande crítico da actual direcção nacional, do Governo e do rumo das políticas que este teima em implementar. No entanto, compreendo as razões da sua “separação” e são legítimas.
É tudo igual, que diferença existe?
ResponderEliminarA Racionalidade, mantém-se irracional em ambos os casos e despropositada.
««Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a razão a nossa espécie. E o instinto serve melhor os animais porque é conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terríveis entre animais, o leão que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso coração sensível dirá «que coisa tão cruel». Não: quem se comporta com crueldade é o homem, não é o animal, aquilo não é crueldade; o animal não tortura, é o homem que tortura. Então o que eu critico é o comportamento do ser humano, um ser dotado de razão, razão disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria sê-lo e que não o é; o que eu critico é a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.»», José Saramago
Para além disso em ambos os casos os intervenientes sentiram-se livres de escolher. Lá porque Capucho é histórico, outros que vierem também farão história. Capucho pode ser integro (supostamente), mas também não se pode esquecer que está a fazer o que não deve.
A diferença, Marta, está na legitimidade. Em Sintra foram ignoradas as decisões das bases (tal como na Mêda e em outros concelhos), foi imposta uma escolha da distrital e/ou nacional que não se deve imiscuir nestas questões. Trata-se de uma tremenda falta de respeito institucional! Já no caso da Covilhã, essa decisão foi respeitada, o que gerou amuos... E tu sabes bem como se processaram as coisas...
EliminarIndependentemente de ser decisão da nacional ou das concelhias, neste momento o partido e muitos dos seus militantes têm ignorado completamente a questão - institucional. E falo dos mais antigos, que deveriam dar o exemplo e ser mais cautelosos e estão a fazer precisamente o contrário.
ResponderEliminarCada caso é um caso... Não vamos obrigar ninguém a dar exemplos só por dar, as coisas têm um começo. No caso do Capucho já vem de trás
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